segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O que o aluno quer?

É comum em tempos eleitorais, ou até mesmo em tempos normais se falar no que as pessoas querem ou o que elas gostam. O problema é que muitos falam sem nenhuma pesquisa prévia legítima. Mas saber o que o aluno da FND quer é fácil, na verdade é óbvio. O aluno dos primeiros períodos quer se adaptar a nova realidade, a transição entre a escola, as poucas responsabilidades, as poucas obrigações, e o mundo adulto e os sacrifícios que devem ser feitos. Tenho certeza que muitos desses alunos que lêem este texto agora não sabem, exatamente, do que eu estou falando.
Já os alunos mais “antigos” querem duas coisas, passar em um concurso, ou ser bem sucedido num escritório ou empresa. Isso meus amigos, é o óbvio. Ambas as escolhas, apesar de bastante diferentes, compartilham as mesmas raízes. A primeira e mais importante são professores qualificados, didáticos, que gostem de estar lecionando. A segunda raiz, conseqüência da primeira, é a melhora das atividades acadêmicas como eletivas relevantes, eventos sobre as diversas matérias do Direito, que coloquem o aluno em contato com os empregadores e tragam substância.
Enfim, o que o aluno da FND quer é um currículo de peso, que coloque uma pessoa reverenciando duas credenciais: Universidade Federal e Faculdade Nacional. Entretanto, isso é o óbvio. Todos nós que escolhemos Direito fizemos por um motivo, melhorar de vida. Não estou dizendo que seja errado, mas apesar de sempre tentarmos, não somos santos, somos homens e mulheres que querem fazer o melhor pelo país, e também querem recompensa. Meus amigos, nós queremos uma vida boa e próspera, num país igualmente bom e justo, afinal de contas nosso bem mais precioso é o futuro.
O futuro é interessante não é? Cada pessoa deve saber o que ela quer no futuro, mas eu sei que todos querem o melhor para si e para os seus. Aposto que muitos não conseguem confiar seus futuros no nosso querido movimento estudantil. Cada um com seus motivos pessoais, mas muitos pela percepção de que não há razoabilidade nos membros das chapas. Enfim, haja paciência para a política na faculdade....
Realmente, os poucos e bravos alunos que lutam heroicamente contra as ditaduras ideológicas não conseguem se juntar para formar uma chapa nova e sem comprometimentos, enfim, não são profissionais os coitados.
Analisando os eventos mais recentes percebo uma mudança extremamente positiva, a chapa 3 agora é composta também por esses alunos que prezam pela razoabilidade, ponderação, planejamento e trabalho duro. A chapa 2, ainda sob o predomínio do PSTU, faz concessões aos seus muitos componentes simpatizantes. O CART, sempre um bastião de produtividade, continua evoluindo, com a presença de grandes figuras como a Liv Makino, Fernanda Medeiros, Eduardo Helfer e outros representantes que não conheço, mas que só tem a contribuir para a faculdade.
Olhando mais fundo, vejo que a chapa 1 está fora do jogo depois do golpe lamentável contra a aliança com a chapa 3. Seus antigos integrantes que deixando a faculdade em breve, certamente não farão falta depois de “encerrar suas carreiras”. A antiga chapa 3, que em apenas uma eleição, sem uma estrutura poderosa por trás, e que conseguiu a impressionante marca de 100 votos estará reforçada, e com propostas de grande qualidade. A chapa 2 não irá mudar sua percepção das coisas, ou seja, você gosta, ou não. Certamente estão fazendo um trabalho melhor do que a antiga chapa 1, mas, é como diz o ditado, “Melhor que Garotinho e Rosinha, até a minha vó!”.
A chapa 3 então tem tudo para dar certo, pois abraça o que os alunos querem, suas idéias, a participação das pessoas.... Espero que finalmente fique clara a vontade dos alunos em estudar numa faculdade do século XXI, que tenha o “escritório tour”, debates entre políticos, máquinas de café nos corredores, seminários sobre óleo e gás, sobre administração de empresas, um escritório modelo digno de atender à população, enfim, uma faculdade que atenda aos interesses pessoais e sociais. Afinal de contas, se a PUC, IBMEC, UERJ e FGV têm, por que nós não?Amigos estudantes, convoco todos aqueles que pensam mudança a acompanhar, ajudar e enriquecer a chapa 3, assim como eu estou fazendo, pois o que eu quero é o fim da morosidade nessa faculdade. Não pensem que por fazer parte da chapa, estou fazendo uma propaganda aqui. Também não quero fazer promessas, o que eu quero é fazer o meu melhor para trazer qualidade, independentemente da minha ideologia política. Espero enfim, que o pensamento político reine na faculdade ao invés do interesse partidário.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Securitização

É uma forte tendência, tanto que o prefeito do RJ tem interesse nessas operações.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições 2008

Encerrada há alguns minutos a apuração dos votos nessas eleições municipais, me sinto encorajado pelo espírito da união que recobre a nossa sociedade no dia de hoje para fazer um balanço deste processo eleitoral. Espero também colocar aqui o que todos nós mortais sabemos ou queremos, e que os deuses eleitos se esquecem quando entram no Olimpo.
Muitos grandes homens e mulheres puseram à prova no dia de hoje o futuro de suas carreiras, de seus companheiros, o futuro de suas vidas. Esses grandes homens e mulheres fizeram isso contra outros não tão grandes. Hoje, os heróis da nação travaram mais uma batalha épica pelo futuro. Em um, único, dia, o poder total da nossa sociedade foi posto em movimento, e que belo movimento. Eu agradeço a Deus por viver em um país democrático, onde as pessoas escolhem por elas mesmas o que é certo e o que é errado.
Mas infelizmente, os grandes homens e as grandes mulheres perderam a batalha do dia de hoje. Perderam porque todas as suas opções eram erradas. Todas as suas opções eram fracas, sem valor, honra, amor. Os grandes cidadãos brasileiros são obrigados a escolher entre os errados porque trabalham todos os dias para garantir aquilo que é mais importante, o futuro, já que o nosso legado não sobrevive sem sacrifício.
Então sobram as pessoas inferiores, que entram na política e se curvam os grande modelo partidário estabelecido, cujo combustível são os interesses pessoais como a fama e o poder.
Política no século XXI não se trata de ideologia, se trata de liderança. Hoje o melhor homem público é o melhor líder, o melhor administrador, aquele que nos passa segurança, caráter, que com uma palavra já define tudo. “Sim nós podemos”. “Mudança em que nós acreditamos”. Meu Deus eu acredito! Yes, we can too!!!
Não temos isso no Brasil. Nossos políticos são fracos, não suportam a pressão vinda dos mais velhos e poderosos líderes partidários. Não têm valor nem honra, já que não conseguem nunca conquistar o coração das pessoas. Hoje, nós vivemos a auto-imposta ditadura do vocábulo que define a nossa grande nação, vivemos sob a égide do “menos pior”. Vejam os 30% de votos inválidos........o menos pior, é não votar em ninguém.
Meus queridos, mudança é uma palavra poderosa, que nunca irá desgastar, apesar do uso indiscriminado nessas eleições, é um pensamento que pode controlar a força mais poderosa do planeta, o voto.
Eles só não dizem o que é essa mudança. Pois eu digo que é acabar com essa morosidade ao falar de política, é escolher uma ideologia e defendê-la da melhor forma que você puder, é procurar por novos candidatos e parar de uma vez por todas votar nos antigos. Isso que é mudança, é tirar esses seres inferiores que não têm a menor idéia do que estão fazendo e assumir você mesmo a responsabilidade pelos atos dos políticos.
Isso meus amigos, é a mudança, necessária para acabar com essa falta de vontade. Meu Deus, todo mundo sabe o que é preciso pra melhorar a educação, e o melhor que sabem propor é aumentar salário de professor? E o melhor que fizeram até hoje foi aumentar, pouco, os salários? Isso, não é mudança.
Então seja você, grande cidadão brasileiro, o político, e assuma a responsabilidade pelo nosso legado como humanos e irmãos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Investimento Municipal

Infelizmente o Brasil ainda é um país subdesenvolvido e governado por mentalidades subdesenvolvidas. A cidade do Rio de Janeiro, sendo desde sempre a vitrine da nação, não poderia ser uma excessão, e o descaso (que por sinal é o sobrenome do atual prefeito e dos atuais vereadores) afetou massivamente o setor financeiro e de investimentos municipais. Estamos vendo diariamente os resultados desse pensamento atrasado e diminuto que nos governa, através dos jornais, das ruas sujas e quebradas, da obra colossal na Barra da Tijuca que custa R$ 450 milhões, das obras do Pan que custaram R$ 3, 5 ou 10 Bilhões (nem o TCU sabe ao certo), e da incrível quantia de R$ 1.5 Bilhão simplesmente parada nos cofres públicos até o ano que vem. Não gosto nem de pensar que até os cofres públicos custam caro para os contribuintes. O prefeito e os vereadores gastaram para construir uma dúzia de prédios o mesmo que os EUA gastam para reconstruir cidades inteiras (mais desenvolvidas também) devastadas por furacões ou enchentes. Enfim, investimento público é sinônimo de prejuízo ou diminuição de fundos e quem perde é a educação, a saúde, a suspensão dos nossos carros, e todos nós que pagamos impostos.
Então o que deve mudar? É simples, existem mil formas para um município pegar o uso de divisas e tranformá-lo em um influxo de capital. O Rio recebe muito dinheiro, muito mesmo, tem uma população muito grande e rica se comparada com o resto do país então a renda dos impostos é alta, tem os royalties do petróleo da Bacia de Campos, tem o dinheiro que é repassado pela União, é capital de um estado e é sede de empresas muito ricas. Com todo esse dinheiro é inadimissível que a cidade não seja capaz de atender às obrigações constitucionais para uma administração pública como a educação, transportes, serviços, etc essas devem ser as prioridades.
Em segundo lugar, o município deve revisar e simplificar os custos, principalmente os bancários. Não é admissível que a cidade tenha tantas contas bancárias e uma burocracia financeira tão grande, isso é ruim para todos pois faz com que o dinheiro acabe indo para o estado ou para a União na forma de taxas e impostos. Veja o pagamento de precatórios por exemplo, é mais fácil simplesmente pegar o dinehiro e queimar já que ninguém vai ver a cor dele, o município tem uma obrigação de pagar, o banco nunca recebe o depósito e a vítima entra na fila. Esse sistema não interessa pra ninguém, o mercado não se beneficia de verbas que não são investidas, o município aumenta o desperdício, e a população senta e chora.
O mais importante é que o município deve acumular e não apenas gastar divisas, e isso só será alcançado se a cidade atuar no mercado de capitais . Por que a cidade não compra títulos do tesouro americano? Por que não investe em ações? Ao invés de agir da pior forma possível que foi uma única operação de valor astronômico com a securitização de recebíveis para conseguir juros menores em pagamentos, o município deveria ter feito como o país inteiro fez, investiu na bolsa.
Lógico que o ente público deve ter privilégios que reduzem ou impossibilitam perdas nesses investimentos, talvez os mesmos que existem no modelo americano, onde em caso de decréscimo no valor dos fundos aplicados, o investidor público pode alternar automaticamente para outra que esteja em alta.
Enfim, já estamos em um momento em que podemos entrar no cenário global, se quisermos ser competitivos, devemos ter uma cidade que funcione e tenha uma base legal e mercadológica forte. Senão, somente outras cidades estrangeiras vão depender cada vez menos da renda dos impostos e o Rio continuará gastando somente com construção civil.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Saúde

Para o público em geral, o termo “trabalhadores da saúde” evoca a imagem de médicos e enfermeiras. Embora não faça justiça à multidão de pessoas que fazem um sistema de saúde funcionar, isso reflete as expectativas do público: encontrar médicos e enfermeiras bem formados, capacitados – e dignos de confiança –, que os ajudem a ficar bem e que façam o melhor possível para auxiliá-los.
A confiança não é algo automático: ela deve ser produzida e negociada ativamente. Se ganha lentamente e se perde com rapidez quando as expectativas se frustram. Em muitos países, a instituição médica perdeu sua aura de infalibilidade, imparcialidade e dedicação aos interesses do paciente. Incentivada pelos noticiários da imprensa sobre uma prestação disfuncional de cuidados em saúde, a confiança pública nos trabalhadores de saúde está-se erodindo no mundo industrializado assim como em muitos países em desenvolvimento. As pessoas pobres, em particular, podem demonstrar ceticismo ou cinismo quando falam sobre seu médico, profissional de enfermagem ou parteira: “Preferimos o tratamento doméstico a ir ao hospital, onde um profissional de enfermagem com raiva pode nos injetar o remédio errado”. A confiança é posta em perigo cada vez que os pacientes não conseguem obter os cuidados de que necessitam ou pagam muito caro pelos cuidados que recebem. Quando os pacientes passam por situações de violência, abuso ou chantagem em instalações de saúde, sua frágil confiança é destruída.
As conseqüências da perda de confiança vão além da relação individual entre usuário e provedor. Uma sociedade que não acredita nos seus trabalhadores de saúde os desencoraja a seguir essa carreira. A erosão da confiança nos trabalhadores de saúde também afeta aqueles que geram e dirigem o sistema de saúde. A administração responsável pelo sistema de saúde – governos, instituições de seguros de saúde e organizações profissionais – tem de fazer trocas difíceis, ou seja, decidir entre demandas que competem entre si: o direito de acesso de cada cidadão a produtos e serviços de cuidados em saúde; a necessidade de governar o custo de incorporar esses bens e serviços; e as necessidades dos profissionais e outros recursos humanos que entregam esses bens e serviços. As características do setor Saúde com seu grande número de atores, assimetria de informações e conflitos de interesses o tornam particularmente vulnerável ao abuso do poder constituído para ganho particular. O público não mais dá como certo que essas trocas são sempre feitas com justiça e eficácia, e nem os trabalhadores de saúde da linha de frente.
Fonte: Relatório Mundial de Saúde 2006 da Organização Mundial da Saúde

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Saúde Social

Na política, tudo se trata da imagem. De um vereador com um corte de cabelo estranho até um imperador romano com armadura de ouro. De um país com o Palácio do Planalto até um país com a Casa Branca feita de mármore. Essa imagem real, que tem por objetivo criar outra diferente na mente das pessoas, significa a busca pela popularização de uma idéia, ou de uma pessoa, ou de uma nação. Na maioria das vezes essas imagens são falsas e infelizmente servem como instrumento para esconder a verdade dos fatos.
Entretanto, temos que admitir que a admiração por cenários visualmente diferentes e bonitos nos atrai e nos conquista com mais facilidade, é simplesmente parte do ser humano. Afinal, se você leitor, quisesse falar de economia, você escolheria o irmão gêmeo de terno ou o irmão gêmeo de chinelo?
A imagem é algo tão poderoso que estamos rodeados por ela. A todo momento vemos uma propaganda ou, em ano de eleição, uma carreata comprada por um candidato. Para o governo de uma sociedade as mesmas regras se aplicam, e quem define, ou deveria definir, a imagem desse governo é o funcionário público, e atualmente no Rio de Janeiro, quem mais demonstra essa imagem é o policial. São essas pessoas que nos mostram a saúde de um governo e a saúde de um povo. Se estiverem com uniformes caros e se o atendimento é bom, se o seu valor para a sociedade é alto e perceptível, todos estes fatores mostram qual é a disposição de um governo em tratar de uma forma melhor ou pior o povo. Esses fatores mostram também quais são os valores que estão na moda para as pessoas.
Um policial geralmente nasceu em uma família de baixa renda, e a cultura para essas famílias é a do tráfico de drogas, é a de que a riqueza só vem com atos ilegais, e é a total falta de educação, então, como esse policial pode servir bem a cidade se é ele quem fornece armas para traficantes, se é ele quem cobra propina de motoristas? A solução mais comum é a educação, então deveríamos ter que esperar 10 ou 15 anos para que as crianças de hoje melhorem o Corpo de policiais e diminuam no número de bandidos?
A solução para a crise da segurança pública não está somente na educação escolar, pois sempre existirão aqueles que apelam para o crime. Também não é econômica, pois mesmo com uma população totalmente empregada, ainda existirão aqueles gananciosos. A solução deve passar pela via moral da sociedade. Um policial deve saber empenhar as leis, deve saber que é relevante e vital para a sociedade, e esta ainda deve confiar nesse força estatal de proteção.
Portanto, para mudar a polícia hoje, é preciso que as altas patentes da corporação sejam as lápides da lei, grandes administradores dos quartéis e fiéis defensores do povo. Os corrompidos são muitos e em muitos níveis, mas são esses policiais que têm o poder de mudança nas mãos. Nós como cidadãos temos o dever de lembrar a estes homens que eles terão nosso apoio se quiserem mudar. Já recorremos muito aos políticos, vamos agora recorrer aos executores.
Soluções existem, mas nada irá mudar se o povo não for educado, não tiver emprego e quando chega em casa, ver o bandido da novela e do noticiário ficando rico. Nada irá mudar se o policial que já tem anos de educação comete crimes deliberadamente, em favor próprio e de seus “companheiros”.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Exemplos e Referências

É realmente interessante procurar saber o que acontece na vida pessoal dos políticos, afinal não deveria existir diferença entre o que ele fala publicamente e o que ele pratica em casa. Lógico que não devemos, por respeito, incomodar o bem-estar das famílias. O que podemos e devemos fazer é procurar saber daquilo que influencia a atuação pública de um político.
Acredito que a palavra determinante nessa questão é a admiração. É muito importante ler, assistir programas, escrever e conversar sobre tudo o que for possível, especialmente para aqueles que querem representar um povo tão plural quanto o nosso. Por isso precisamos saber dos nossos políticos não apenas o que eles estão fazendo, precisamos perguntá-los o que eles admiram. Quem são as pessoas que marcam suas lembranças, quais foram os fatos e motivos que dão rumo aos seus princípios.
Raramente vemos na mídia esta discussão tão nobre e, quando vemos, a resposta é sempre igual e os mesmos exemplos são dados: as pessoas são sempre aquelas que estão nos livros de História tais como Churchill, Vargas, Juscelino, Gandhi, etc e os fatos são sempre historinhas feitas para comover o público como a famosa frase “Venho de uma família pobre.”, que apesar de serem verdade, não fazem a menor diferença na hora do político se associar com a milícia ou com a máfia das vans.
De exemplos a História está cheia, para mim o que mais importa são aquelas pessoas que trabalham para o país, pessoas como a minha vó, que já viram 3 ou 4 regimes e não deram a mínima. Continuaram trabalhando porque era a única opção para sobreviver, seguiram em frente porque se era ditadura ou democracia, quem comprava pão eram eles mesmos. O cidadão não precisa querer acompanhar a política, afinal cada um tem a sua vocação, mas ele deve sempre querer ter a certeza de que o país está no rumo que acha certo.
Essas pessoas atingiram o que a classe política nunca conseguiu, que foi colocar o interesse do país na frente do interesse pessoal, se é que podemos chamar a sobrevivência de interesse. Na minha opinião elas fizeram mais do que o suficiente, que foi cumprir com sua obrigação de trabalhar para construir o futuro, aceitando o que os poderosos mal-intencionados diziam e ainda dizem sem recuar e sempre certos de que o futuro traria os bons frutos.
Esses meus caros, são os grandes cidadãos brasileiros, aqueles que trabalharam muito, ganharam pouco e fizeram muito pela família e amigos. Me sinto muito orgulhoso e abençoado de ter esse tipo de referência em casa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Interesses.

Kátia,
O exemplo que você deu do Collor é um fato histórico bem brasileiro, ou seja, cheio de peculiaridades difíceis de encontrar paralelo em outros países ou épocas. Vamos lembrar aqui de certas influências que existiram no período (e todos nós sabemos quais foram) e que na minha opinião não seriam toleradas em grande parte do planeta.
Acredito que a vida em sociedade é uma questão de padrão de qualidade. Vamos admitir que depois de séculos de má administração pública, o povo brasileiro simplesmente não tem um padrão alto de educação. Sendo assim, o brasileiro realmente acha que carnaval e viagem para um lugar qualquer nas férias é diversão e qualidade de vida.
Sem um padrão alto, como o povo vai saber que poderia ter muito mais do que tem? Sem um padrão alto, o povo não sabe que pode mudar diariamente a política nacional e não sabe que pode exigir sempre mais. Enfim, achamos que somos fortes e corajosos quando na verdade somos um povo fraco, arrogante, que gasta todo o salário em cerveja e não faz a menor idéia do que os políticos fazem depois que são eleitos.
Nunca teremos nossa “finest hour” se continuarmos a esconder todos os nossos defeitos embaixo de palavras vazias como “povo alegre” e “brasileiro com muito amor”. Um dia fomos capazes de protagonizar episódios políticos memoráveis tais como a Revolução de 1930, as diversas revoltas no Brasil-Colônia e no Brasil republicano, o Estado Novo, a participação na 2ª Guerra Mundial, o golpe militar e a luta contra ele. Hoje somos o país que elege o pipoqueiro como vereador e o Garotinho como Governador.
Sem um padrão alto, o povo brasileiro deve ficar extremamente infeliz com uma situação para querer mudá-la, foi assim com o Collor. A mudança ocorreu e foi exatamente o que o povo queria, afinal alguém em 1992 pensava que sequer existia outra opção? Realmente, desordem existe, mas não deveria ser algo ruim, gostaria que não houvesse tantos interesses sobrepostos ao bem-estar da nação naquele momento.
Todos nós sabemos o que deve ser feito, todos queremos ruas sem buracos, todos queremos segurança, todos queremos que o esgoto não pare na praia. Mas será que os nossos representantes querem o mesmo? Para mim a resposta varia dependendo do interesse.
E a minha influência é a minha avó que há quase 80 anos dá seu sangue, seu suor e suas lágrimas por esse país me lembrando do potencial desse povo, e é o grupo de miseráveis que dorme a céu aberto em ruas mal cuidadas e que me lembra do quanto esse país e essa cidade estão precisando de trabalho duro e gente responsável.
Obrigado pela sua opinião,
Abraços.